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acidente fatal
Na manhã de 8 de maio de 1976, no bairro
Campinas da cidade de Goiânia, Goiás, uma brincadeira com revólver
ocasionou a perda de uma vida e deu origem a doloroso drama, que se
arrastaria pro muitos anos, alcançando, inclusive, repercussão em todo o
país.
Quando pela primeira
vez pegava em arma de fogo, e estudante José Divino Nunes, de 18 anos, na
residência de seus pais, atingiu, casualmente, o seu inseparável amigo
Maurício Garcez Henrique, de 15 anos, com um tiro no tórax.
*
Maurício foi
conduzido às pressas ao hospital mais próximo pelos familiares de seu
colega, na tentativa de salvar-lhe a vida. Mas, faleceu, poucos minutos
antes de receber o primeiros socorros.
*
Desde a sua primeira
declaração à autoridade policial, José Divino negou que tivesse desejo de
matar Maurício, afirmando ter sido também vítima de terrível fatalidade,
ao provocar-lhe, involuntariamente, um ferimento fatal. Vizinhos e colegas
de escola, sempre freqüentando a mesma classe, eram amigos íntimos havia
quatro anos.
Mas, por força da
Lei, abriu-se um inquérito policial para apuração do fato delituoso.
As páginas 19, 20,
91 e 92 (Reconstituição dos eventos) e 100 do processo assim registrou o
interrogatório de José Divino, única testemunha ocular do fato:
“(...) no dia que se
deu o fato, ambos estavam no quartinho de despensa que fica anexo à
cozinha, e após 25 minutos deu vontade de fumar na vítima, sendo que ele
pediu ao declarante que desse um cigarro e que por motivo do mesmo não
te-lo, a vítima foi até onde estava a pasta do pai do declarante para
tirar cigarro. Pois os mesmos estavam acostumados a pegar cigarros naquele
objeto, mas não encontrando-os a vítima pegou o revólver que o pai do
declarante sempre guardava na pasta, quando não a usava em seu serviço de
Oficial de Justiça. Em seguida, na presença do declarante, a vítima
manejou o revólver de maneira que o seu tambor caiu para a esquerda,
havendo a queda dos cartuchos dentro da pasta. Pensando que a arma se
encontrava vazia, a vítima puxou o gatilho em direção do declarante por
duas vezes. Neste momento, o declarante disse à vítima que seu pai não
gostava que mexesse nas coisas dele e que lhe entregasse a arma, sendo que
o declarante tomou a mesma da mão dele. Em seguida, a vítima saiu para a
cozinha para buscar cigarros, que fica à esquerda do local onde estavam.
No quartinho existe um espelho grande _ do guarda-roupa, que fica ao lado
da porta que dá para a cozinha _ e o declarante olhava para ele, brincando
com aquela arma, e quando sintonizava uma estação no aparelho de rádio,
colocado sobre o guarda-roupa, puxou o gatilho no exato momento em que a
vítima, vinda da cozinha, entrava pela porta. A arma detonou, indo o
projétil atingir a vítima, que gritou, sendo socorrida pela mãe do
declarante, juntamente com ele, e a seguir levada, de táxi, ao Hospital
mais próximo.” (
*)
Os peritos que
realizaram a reconstituição dos eventos concluíram que “a versão narrada
por José Divino pode ser aceita”, pó inexistir contradição entre sua
palavra e os dados técnicos.
*
OS PAIS DE MAURÍCIO BUSCAM CONSOLO E
ORIENTAÇÃO
Enquanto o Processo seguia os trâmites
normais, os pais de Maurício, desconsolados, procuraram orientação e paz
à luz do Espiritismo.
Abordando essa fase
tão difícil da família, colhemos do progenitor, sr. José Henrique, os
seguintes esclarecimentos, em breve entrevista:
Como foi o primeiro
contato de sua família com a Doutrina Espírita?
“Quando nosso filho
desencarnou, nós éramos católicos. Seis dias após o acidente, recebemos a
visita espontânea de D. Augustinha Soares Gregoris e de D. Leila Inácio da
Silva, residentes aqui em Goiânia, mães dos falecidos jovens Henrique
Gregoris e Izídio, respectivamente. Não mantínhamos, naquela época,
relações de amizade, mas nos ofertaram, fraternalmente, diversas
mensagens mediúnicas de autoria de ambos e recebidas por Chico Xavier. Foi
a primeira vez que tomamos conhecimento de que os mortos escrevem.”
O senhor e sua
esposa aceitaram tais novidades com facilidades?
________
(*) O texto do inquérito policial foi aqui reproduzido fielmente, sem
nenhum correção. (Nota do Organizador)
“Foi muito difícil
aceitar. A dor, porém, era tão grande que transpusemos as barreiras
religiosas e, para inteirarmo-nos do assunto, começamos a ler livros
espíritas. O primeiro foi Perda de Entes Queridos, de D. Zilda G. Rosin,
que apresenta mensagens vindas do Além, de autoria de dois filhos da
autora.”
Logo deduziram que
Maurício também poderia escrever?
“Exatamente.
Sentindo que as cartas vindas do Mundo Espiritual eram convincentes,
concluímos, por nós mesmos, que deveríamos visitar o Chico. Tal plano se
concretizou em julho de 1976, três meses após a desencarnação de Maurício,
quando estivemos pela primeira vez no Grupo Espírita da Prece, em
Uberaba.”
O médium Xavier deu
esperanças de um breve reencontro com seu filho?
“Em nosso primeiro
contato, Chico não nos deu muitas esperanças, esclarecendo à minha esposa
que o recebimento de mensagens não dependia dele, frisando: ‘o telefone
somente toca de lá para cá’. Mesmo assim, continuamos voltando a Uberaba,
em média a cada dois meses. Nessas visitas sempre tivemos notícias de
nosso filho em forma de pequenos recados, em atendimento aos pedidos
colocados sobre a mesa, até o recebimento da primeira carta, em 27 de
maio de 1978.”
*
Dentre os vários
recados recebidos antes da Primeira Carta, todos guardados carinhosamente
pelos progenitores, destacaremos os dois primeiros e o último, reveladores
do progresso espiritual de Maurício:
“Nosso caro amigo
está sob a assistência de abnegados Amigos Espirituais na Vida Maior.
Confiemos no amparo de Jesus, hoje e sempre.”
“Filha, Jesus nos
abençoe. O querido filho está presente e beija-lhe o coração materno,
reafirmando-lhe, tanto quanto à querida família, o carinho de sempre.
Confiemos no amparo de Jesus, hoje e sempre.”
“Filha, Jesus nos
abençoe. O filho querido está presente e agradece o carinho das preces e
lembranças, prometendo escrever-lhe logo que a oportunidade se lhe faça
mais favorável. Esperemos com serenidade e alegria.”
Francisco Cândido
Xavier - Maurício Garcez Henrique (Espírito)
Hércio Marcos C.
Arantes
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